Crônica: A culpa era do gato

Crônica: A culpa era do gato
Texto assinado por Miguel Tadeu Guimarães de Campos
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Algumas coisas acontecem na vida e, sem querer, viram piada. E, às vezes, fazemos parte da piada. Aí não tem jeito, é melhor aceitar. Dói menos. 

Essa de hoje aconteceu com um amigo delegado, na época em que eu era delegado também. Eu de uma cidade pequena e ele, de outra, aí pertinho de Auriflama.

Mesmo em cidades pequenas furtos acontecem, e quando acontecem, torna-se uma questão de honra pra polícia descobrir o seu autor.

Pois bem. O furto aconteceu e envolvia um grupo de pessoas que trabalhavam na área rural.

Aí, trazido o suspeito para a delegacia era o momento de interrogá-lo, para extrair a sua confissão.

Então, o meu amigo delegado, fez o que tinha de fazer. Fez várias perguntas, apertou o camarada de tudo quanto é jeito, cercando aqui e ali. E o suspeito apenas respondia: – Não fui eu doutor, foi o gato…. não fui eu doutor, foi o gato.

A certa altura, o delegado ficou bravo e disse, incisivamente: – Eu aqui falando sério, perguntando o que você fez, e você fica aí brincando, falando que foi o gato…

Aí, o experiente escrivão que estava ao lado, a tudo acompanhando, interveio: – Não, não, doutor, ele não tá brincando… o gato é o cara que contrata o pessoal para a lavoura.

Aí a história do gato virou lenda…

  • Miguel Tadeu Guimarães de Campos, 56 anos, promotor de Justiça em Campinas-SP

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