Crônica: Ainda bem que a Riachuelo fechou

Crônica: Ainda bem que a Riachuelo fechou
Texto assinado por Miguel Tadeu Guimarães de Campos
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Eu nasci em 64.

Me recordo vagamente da cidade, no início. Já ouvi histórias da famosa figueira. Lembro da construção da igreja católica, pois brincava lá, subindo nas colunas diagonais.

Me recordo das antigas lojas de comércio da cidade.

Me lembro da casa Lopes, da casa Aliança, da loja do Zoccal, do Chacrilongo, das Casas Pernambucanas, do bar do Morita, do hotel do seu Machado, da rodoviária antiga, do bar do seu João Rosa, do bar do seu Luiz Rego, da sorveteria do Lalo (era assim que a molecada chamava), da primeira quitanda da Maria, da farmácia do seu “Palo”, e por aí vai.

São muitas lembranças.

E uma especial. Da Loja Riachuelo.

Pelo seguinte: o gerente da Riachuelo, seu Oscar, era vizinho da casa do meu pai. E ele tinha um filho que se chamava Oscar, que era chamado de “Oscarzinho”.  

E eu era moleque arteiro, vivia aprontando e apanhava da minha mãe, de fio de ferro, às vezes. Pois é, naquela época era assim. E não tinha esse negócio de chamar o Conselho Tutelar, não. A vara da infância era lá em casa mesmo. E era uma planta, não um prédio. Era educação das boas. Graças a Deus.

Mas, enfim, quando eu apanhava, eu chorava. E quando eu chorava, meu pai, enfaticamente, dizia: ___”chora baixo, que o Oscarzinho tá dormindo”.

E como eu aprontava todo dia, eu cresci ouvindo essa frase: ___”chora baixo, que o Oscarzinho tá dormindo”.

Primeira consequência: eu cresci com raiva do Oscarzinho. Além de atrapalhar o meu choro, só vivia dormindo. Ô loco meu

Segunda consequência: fiquei feliz quando a Riachuelo fechou. Pude chorar em paz.

  • Miguel Tadeu Guimarães de Campos, 56 anos, promotor de Justiça em Campinas-SP

5 comentários sobre “Crônica: Ainda bem que a Riachuelo fechou

  1. Meu nome é Carlos Armando Marchelle casado com Marta Medice filha do sr.Elizeu Medice muito conhecido na cidade de Auriflama comerciante e morador há muitos anos na cidade….eu conheci a cidade de Auriflama em 1992 quando estive pela 1ª vez nessa Cidade pequena no tamanho mas enorme no Coração Humano……..e nesses anos ouvi o sr.Elizeu falar várias vezes o prazer que teve de trabalhar na Loja Riachuelo ..loja esta que faz parte da História de Auriflama ….abc

  2. No período de 1975 a 1977 trabalhei no então Banco Mercantil de São Paulo SA. Morava na casa do Sr. Aparecido Polo, conhecido como “Tio do bar” e sua esposa também como “Tia do bar” (pois, eles tinham um bar, que era exatamente no lado oposto da Loja Riachuelo.

  3. Tadeu, muito bacana suas crônicas e faz a gente lembrar do passado em Auriflama. Fui aluno do Seu pai e da sua mãe e joguei bola contigo não muitas vezes, mas lembro da sua canhotinha que era habilidosa e dava uns tiros certeiros no Gooooooollllllllll. Sds

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