Crônica: O dia em que o Cabeção virou Wilson Mano

Crônica: O dia em que o Cabeção virou Wilson Mano
Texto assinado por Miguel Tadeu Guimarães de Campos
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CRÔNICA – Eu conheci o Wilson Mano quando ele ainda era o “Cabeção”.

Era meu vizinho de bairro. Um moleque magrinho, branquinho, descabelado, encardido do sol (calma, eu também era) e só pensava em jogar bola na vida.

Nos encontrávamos quase todo dia na quadra que ficava ao lado de casa, no lugar onde é o fórum hoje.

Ali, debaixo do sol quente, jogávamos bola à tarde toda, até escurecer.

Brincávamos de disputa individual (o nome era torneio) quase todo dia no final da tarde, depois que todo mundo ia embora, ficávamos até escurecer.

E ele ganhava a grande maioria, não tinha jeito. Era muito difícil ganhar dele.

Daí… vida que segue. Eu fui estudar e ele continuou jogando bola.

Eu me dei bem nos estudos, e ele se deu bem na bola.

Filosofando um pouco, eu fiquei muito feliz pelas suas conquistas no futebol.

No começo, quando ele saiu de Auriflama, houve muitos comentários positivos e muitos negativos. É que a inveja de alguns não consegue ficar quieta no coração, tem de se manifestar. Então, ouvi de tudo um pouco, mas deixa isso pra lá.

Agora pense comigo, quando e como um moleque de uma família humilde de Auriflama conseguiria subir na vida.

Vejo que Deus abriu uma porta pra ele através do futebol, e ele fez o resto. E muito bem por sinal. Começou nas mãos do Zé Marrom e foi parar no melhor time do Brasil (calma, a crônica é minha, então eu escrevo o que eu quiser, certo – imagine agora aquele hominho do whatsapp de braços abertos).

E jogou lá por quase uma década e até chegou à seleção brasileira.

Foi bem demais né?

Ele tem a minha admiração. Já falei isso pra ele, pessoalmente.

E quando saiu de Auriflama, muita coisa mudou na sua vida.

Jogava no ataque e meio de campo, mas fez sucesso na lateral direita e, ainda, ficou conhecido como o coringa do Timão. Jogou em todas as posições, menos de goleiro.

Mudou até de nome, de Cabeção para Wilson Mano, nome de artista. Também pudera. Como ia fazer sucesso com o nome de Cabeção.

Já imaginou o locutor. Cabeção pra cá, Cabeção pra lá.

Ô loco meu. Conforme o lance isso não ia dá certo…

Um abraço, Mano. Você é o cara.

  • Miguel Tadeu Guimarães de Campos, 56 anos, promotor de Justiça em Campinas-SP

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