Crônica: O Lava-Jato Esquinão

Crônica: O Lava-Jato Esquinão
Texto assinado por João Alfredo Danieze
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Um dos problemas da crônica, que está “atiçando” nossa memória, é o de morar no interior, numa cidade pequena, onde todos se conhecem e, por isso, qualquer citação – seja boa, ruim ou engraçada – pode gerar reclamação de amigos, conhecidos ou familiares.

Quando a “história” for boa, a falação é geral e o protagonista dela vai até elogiar.

Permitam-me, então, sair um pouco da nossa Vila Áurea e ir para nosso Município vizinho, onde ocorreu o fato.

Todos conhecem aquelas velhas histórias de um Prefeito ou Vereador que foi a Brasília e na sala de um Deputado Federal foi servir-se numa garrafa térmica com café sem açúcar e ali perguntaram: – Vossa Excelência é diabético? E a autoridade prontamente respondia: – Não, sou de Auriflama.

Tem muitas dessas caricatas histórias, ora um Município, ora outro.

Mas dizem os fofoqueiros de plantão que essa história é verídica e ocorreu na Prefeitura de Guzolândia, com um falecido Prefeito, muito popular, querido e homem “do comércio” e com uma grande freguesia. Ao assumir o cargo de Prefeito, atendia a todos com bastante presteza e cordialidade e rapidez para resolver os “problemas” da cidade.

Um belo dia, um rapaz, naquela fase da vida querendo “ganhar dinheiro”, resolveu montar uma empresa de prestação de serviços voltada à lavagem e lubrificação de automóveis.

 Procurou um Contador que tinha recém chegado à cidade e pediu seus préstimos profissionais para “abrir uma firma”. Ao explicar para o Contador o que ele pretendia fazer, este imediatamente disse: – Ah, entendi. Você quer montar um “lava-jato”? Relutei, aqui, mas por minha conta e risco, vou nomear para “LAVA-JATO ESQUINÃO”, para não ficar sem título a crônica.

Assim foi feito: abriu-se a empresa na Junta Comercial e, em seguida, o Contador entrou com o requerimento na Prefeitura para solicitar o “alvará de funcionamento”, o que demoraria um ou dois dias para ser expedido.

Qual não foi a surpresa do “empresário” ao receber o recado do Prefeito que era para comparecer na Prefeitura já no dia seguinte, eis que não entendeu nada do que foi requerido.

No dia marcado, já na sala do Prefeito, este com toda a sua simplicidade disse ao jovem empresário:

– Rapaz, é isso mesmo que você quer montar? Um lava-jato?

Ao que o jovem respondeu: – Sim, isso mesmo!

O Prefeito, mais do que depressa, respondeu: – Larga mão disso, meu querido jovem. Você vai quebrar no primeiro mês. Aqui não desce nem “teco-teco”, muito menos jato !

Daí para frente não sei mais nada, se foi ou não inaugurado o empreendimento…

  • João Alfredo Danieze, 57 anos, advogado, filho do Dedé e da Florinda, residente em Ribas do Rio Pardo (MS), desde 1992.

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