Crônica: Pimpo 3 e o futebol

Crônica: Pimpo 3 e o futebol
Texto assinado por Miguel Tadeu Guimarães de Campos
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Tenho três filhos. O Pimpo 1, o Pimpo 2 e o Pimpo 3.  

Ainda vou cronicar (inventei agora) sobre os três, mas hoje vou contar uma do Pimpo 3.

Eu sempre joguei bola. A vida inteira, desde a quadra do Glema (ao lado de casa) até quando o corpo aguentou. Agora só curto um jogo na tv.

E até que joguei bem. Também pudera, aprendi com o Zé Marrom. Bom, pelo menos não era cabeça de bagre. E é lógico que sempre um filho puxa ao pai.

Pois é, um dos Pimpos puxou, sim. Mas não foi o 03.

Mas até que ele teve sucesso no futebol. Olha só.

Quando ele tinha uns quatorze anos, fez parte de um time do Anglo que disputou um campeonato infantil. E não é que o time dele chegou na final.

Ele era titular, mas não jogou a final. Não porque perdeu a posição, mas porque a data coincidiu com a sua formatura de oitava série.

Resultado: ele foi na formatura e não jogou. E o seu time ganhou, foi campeão.

Até hoje aqui em casa, falamos pra ele que o time foi campeão graças a ele, quer dizer, à ausência dele.

Tem outra história futebolística dele muito interessante.

Essa aconteceu quando ele estava na quarta série antiga (parece que hoje mudou). Ele fazia educação física com o seu Rubens, o Rubão.

Certo dia ele chegou em casa reclamando, quase chorando, e contando que o seu Rubens tinha levado toda classe dele para jogar bola com os meninos da Apae.

E ele reclamou, que assim não dava, que os meninos da Apae eram “tudo grande”, ficavam “gritando” e que eles ficaram com medo e não conseguiram jogar.

E eu ali, tentando contornar a situação…

E ele prosseguiu: – mas o pior não foi isso, pai…

Aí eu perguntei: – por quê, aconteceu alguma coisa?

E ele, quase chorando, respondeu: – o pior é que perdemos pro time da Apae…

Aí virou lenda…

Obs: através dessa crônica presto uma homenagem ao professor Rubens e à Apae, que tão bem aplicaram o princípio da inclusão.

  • Miguel Tadeu Guimarães de Campos, 56 anos, promotor de Justiça em Campinas-SP

4 comentários sobre “Crônica: Pimpo 3 e o futebol

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