Crônica: Se eu fosse o ministro da Educação

Crônica: Se eu fosse o ministro da Educação
Texto assinado por Miguel Tadeu Guimarães de Campos
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De vez em quando você não tem vontade de ser alguém importante, de ocupar um cargo importante para poder resolver algum assunto do seu jeito?

Pois é, as vezes me dá essa vontade. Pra vários cargos, inclusive.

Por exemplo, se pudesse eu queria exercer o cargo de ministro da educação, já que atualmente qualquer um pode ocupar esse cargo (se eu tivesse no whatsapp eu colocaria aquele hominho com os dois braços abertos…)

Não pra resolver tudo. Nem pra colocar o Brasil no primeiro lugar da lista da erradicação do analfabetismo. Não quero tanto.

Só queria resolver umas pequenas coisinhas que hoje me fazem muita falta.

Vou explicar desde o começo.

Você que é da minha época, deve ter estudado seno, cosseno, raiz quadrada, equação do segundo grau, mitose, meiose, enfim, aquelas matérias que hoje você utiliza a todo instante no seu dia a dia não é mesmo!!!

Entendeu onde eu quero chegar né??!!

Sim, sim, eu sei que todo o conjunto de matérias faz parte da cultura geral que todo estudante precisa ter.  

Mas é que eu nunca precisei mais do que as quatro operações matemáticas pra fazer compras ou resolver um negócio. Ou será que alguém já comprou um carro utilizando uma conta de raiz quadrada, um seno, um cosseno?

Será que quando você jogava bola, para ir de um lado para o outro do campo de futebol, alguma vez você usou os catetos ao invés da hipotenusa?

Ou quando o freio da bicicleta falhou numa curva e você foi parar no barranco, você ficou pensando: estou saindo pela tangente por ação da força inercial centrífuga!

Fala sério…

Não é que eu pense que isso tudo é inútil. Não. Apenas penso que essas matérias específicas devem ser estudadas por quem escolhe uma área específica, na faculdade.

De resto, cada estudante sabendo o básico já daria pro gasto.

Agora vem a mudança que eu faria se fosse ministro.

Nas escolas teria aula prática de instalação de chuveiro, pintura de parede, troca de tomada, de torneira, de uma telha quebrada, troca de pneu. E mais, seria ensinado a nadar, fazer uma “chupeta” na bateria do carro, usar um extintor, primeiros socorros, etc. As mulheres seriam ensinadas a fazer uma mamadeira, passar roupa, lavar roupa, fazer comida, fazer um bolo, desengasgar uma criança, enfim…

Isso é machismo? Então tá bom, ensina tudo pra todo mundo. Não tem problema.

Trocando em miúdos, se o tempo que eu gastei aprendendo coisas que eu nunca usei, me tivesse sido ensinado a fazer tudo isso que eu acabei de mencionar será que eu não seria mais útil para mim mesmo pela vida afora?

Não tenho dúvida.

Não esqueço a primeira vez que tive que trocar um pneu em pleno centro de Araçatuba, sem nunca tê-lo feito antes. Pois é, eu não sabia sequer colocar o macaco!!! (detalhe: eu ergui o carro para depois desparafusar o pneu…já viu né!!!)

Entenderam o que vou fazer quando eu for ministro da educação.

Mas fiquem tranquilos, nossas crianças vão continuar apreendendo equação de segundo grau.

Eu não sou e nunca serei o ministro da educação. Mas, fica a dica.

  • Miguel Tadeu Guimarães de Campos, 56 anos, promotor de Justiça em Campinas-SP

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