Entenda qual a relação entre as queimadas na Amazônia e a crise com a França

Entenda qual a relação entre as queimadas na Amazônia e a crise com a França

Nas últimas semanas o mundo tem acompanhado a crise das queimadas na Amazônia e o aumento dos números de desmatamento. Além disso, esta é a maior crise enfrentada pelo presidente Bolsonaro desde que assumiu em janeiro, em razão dos problemas diplomáticos causados pelo presidente francês.

Neste mês de agosto, o Brasil enfrenta a maior onda de queimadas dos últimos cinco anos, segundo os dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), sendo que de janeiro até agosto os focos de queimadas aumentaram 85%.

Além dos problemas internos, o governo enfrenta uma crise diplomática com o presidente francês, Emmanuel Macron.

Em um post no twitter, Macron defendeu a urgência de ser feito algo pela Amazônia.

“Nossa casa está queimando, literalmente. A floresta Amazônica- os pulmões que produzem 20 % do oxigênio de nosso planeta- está em chamas. É crise internacional. Membros da cúpula do G7, vamos discutir essa emergência em dois dias”, escreveu Macron no twitter.

No mesmo dia da fala de Macron, Bolsonaro demostrou preocupação com a sanções que poderiam ser implantadas pelos países que compõem o G7, o grupo dos sete país mais ricos do mundo.

 “Nossa economia está escorada na onde? Nos comões. Se o mundo resolver nos retaliar e nossa economia bagunçar, todos vocês repórteres, todo mundo vai sofrer as consequências”, afirmou o presidente em uma live na quinta-feira.

Qual o verdadeiro interesse francês?

Para o professor de geografia e micro-agricultor, Evandro Sanches, existe um interesse em prejudicar o agronegócio brasileiro por trás das falas de Macron.

“Cada país deve proteger os interesses nacionais e a França é de longe o principal produtor agrícola da União Europeia. Com esse novo acordo entre a União Européia e o Mercosul, ela teme que seus produtores locais do agronegócio sofram com os produtos brasileiros, que nesse setor leva vantagem”, afirma o professor.

Segundo o jornal inglês Finacial Times, nos próximos anos o Brasil poderá se tornar o maior produtor de alimentos do mundo. Para Sanches o governo brasileiro, com o aumento do desmatamento e das queimadas, deu para a França um motivo para se defender do nosso mercado.

“Tudo que ela poder usar para se defender do Brasil, ela (França) irá usar. Sobre a alegação de que o governo brasileiro não protege o meio ambiente, que desmata e que não cumpriu o compromisso do trato do clima de Paris”, completa

Já para Leonardo Potje, professor de geografia, ambientalista e presidente do Clube da Árvore de Araçatuba, há sim um interesse de Macron em relação a prejudicar a imagem do Brasil. “O Macron tem um interesse. Ele soube aproveitar o momento. Além de tudo ele quer mostrar o quanto ele é forte e Bolsonaro é fraco”, afirmou Potje.

O ambientalista completa explicando que “eu não posso falar que não concordo com ele, pois eu defendo o discurso dele”, se referindo as falas de Emmanuel Macron.

Ingerência brasileira

Potje também faz menção a situação do ministro do Meio-Ambiente, Ricardo Salles, que na segunda-feira, dia 26, disse que não concordava com a fala do ministro Onxy Lorezzoni.

Na ocasião, Onxy disse que o Brasil não iria receber o dinheiro dos países do G7, porém, ontem (27), o Palácio do Planalto anunciou que o governo do primeiro ministro britânico, Boris Johnson, disponibilizou R$ 10 milhões em libras para o fundo da Amazônia.

“O ministro do meio ambiente não consegue dialogar com a ministra da agricultura e com o Onixy. Falta articulação entre os ministérios, eles não sabem conversar”, afirma o ambientalista.

Ainda sobre a crise, o professor de geografia Evandro Sanches  afirma que a crise foi criada pelo próprio governo brasileiro.

“Essa confusão toda foi criada pelo governo. Isso tudo foi detonado após o dia virar noite na cidade de São Paulo. Só depois disso o governo percebeu que estava errado”, completa, Sanches.

Leonardo Potje, disse que é “necessário tomarmos a Amazônia como exemplo”. Ele também destacou que há uma falta de interesse dos governos municipais e estaduais. “A população precisam entender que a diferença começa no local onde ela mora. Devemos cobrar os governos municipais para mudar esta realidade”, finaliza.

*  Yan Barrem – Equipe Pô Cidade 

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